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Livia Hasegawa

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quinta-feira, 3 de março de 2011

Manipulando o intestino para tratar diabetes

O diabetes é a maior causa de mortalidade cardiovascular do mundo. Isso, por si só, já justifica o empenho de milhares de cientistas ao redor do mundo que tentam todos os dias encontrar algum tratamento, substância, alimento, cirurgia ou procedimento que possa de alguma forma auxiliar no controle do metabolismo da glicose.

Essa busca é hoje direcionada para órgãos outros que não o pâncreas.

Remédios para aumentar a excreção de glicose pelo rim e outro que diminui a produção de glicose pelo fígado são alguns exemplos, porém, sem dúvida alguma, o grande foco das pesquisas está voltado para o intestino.

No último congresso europeu de diabetes esse tema ficou ainda mais em evidência.

O Prêmio Oskar Minkowski que homenageou a Dra Fiona Gribble, da Universidade de Cambridge na Inglaterra, teve como tema “Mecanismos moleculares envolvidos na secreção das incretinas”.

Os estudos dela estão centrados nos fatores que estimulam a porção apical da célula L intestinal a produzir GLP-1. Ou seja, ela e mais 15 pessoas de seu laboratório estudam como estímulos gerados no intestino podem liberar incretina (GLP-1).

No dia 22 de setembro, tivemos nesse congresso um simpósio composto de 6 apresentações orais que tinha o título de “Manipulando o intestino para tratar diabetes”. Foram apresentados diversos assuntos que comento abaixo:

1 – Uma metanálise sobre a diminuição de mortalidade e morbidade em pacientes obesos submetidos à cirurgia de bypass gástrico ou banda. A conclusão foi de que a cirurgia bariátrica reduz a mortalidade cardiovascular e a mortalidade geral.

2 – Um estudo do Karolinska Institutet (o que nomeia o ganhador do Nobel de medicina) mostrou que após cirurgia bariátrica ocorrem alterações na expressão gênica (produção modificada de RNA) que favorece o controle de peso.

3- Estudo brasileiro do nosso grupo mostrou que após cirurgia metabólica (Interposição do íleo) ocorre aumento da secreção de insulina. Para esse estudo utilizamos o método considerado padrão ouro para avaliação que é o clamp hiperglicêmico.

4 – Um estudo americano e Árabe mostrou que a infusão de substância rica em ácido biliar (bile) no cólon (intestino grosso) pode diminuir a fome e a ingestão de alimento. O mecanismo de ação é provavelmente um estímulo da secreção de GLP-1 na primeira porção do cólon.

5 – O estudo de maior repercussão já foi descrito nesse site pelo Dr Pimazoni, que foi o de transplante fecal. (minilink.in/giwaya)

Todos esses dados juntos mostram que o diabetes é uma doença complexa, multifatorial, poligênica e que novas abordagens para o entendimento desse mecanismo fisiopatológico são muito bem vindas.

Mesmo que a princípio, alguns trabalhos possam parecer anedotários, uma quebra de paradigma vai ocorrendo, o intestino deixa de ser um passivo encanamento de dejetos para um ativo órgão endócrino que produz glicose, tem um nível específico de sensibilidade insulínica, produz hormônios, absorve sais biliares interferindo no controle da glicose, dos lípides, da resistência insulínica e da pressão arterial.

Que isso possa nos trazer em médio prazo novas possibilidades terapêuticas.

Dr. Sérgio Vencio
Médico endocrinologista. Presidente da SBD-regional Goiás. Research Fellow (Visiting Faculty) na Academisch Ziekenhuis, Free University Hospital, Amsterdan-Holanda
 
Fonte: http://www.diabetes.org.br/

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